Castilho 203

Descrição

Concebido originalmente para escritórios, o edifício vai agora passar a uso habitacional, o que obrigou ao desenho de uma arquitectura completamente nova, permanecendo do que existe apenas a sua estrutura resistente que, mesmo essa, terá que sofrer uma profunda alteração.

Dado o programa que está em causa ser de habitação, temas como a luz natural, vistas panorâmicas ou a possibilidade de estar ao ar livre em varandas e terraços são naturalmente temas centrais do desenho desta arquitectura. É nesta perspectiva que surge a introdução de varandas orientadas sobre o Parque Eduardo VII, o aproveitamento do terraço superior, bem como o desenho de janelas de dimensões generosas, neste caso com protecção exterior através de telas micro-perfuradas. Aqui, destaca-se particularmente o recuo da empena orientada para sul, de forma a poder ali abrir-se janelas com vistas panorâmicas sobre a cidade a Sul e o Tejo.

Feita a devida ponderação destas questões, bem como do cumprimento dos afastamentos aos vizinhos, das dimensões máximas de varandas ou balanços sobre o espaço público, e após uma cuidada análise das volumetrias actuais, optou-se por clarificar o desenho do edifício fixando a tipologia de planta cruciforme. Na sua construção, tanto por obediência a um princípio de perenidade ou de resistência ao tempo, mas também para lhe conferir um carácter nobre, os paramentos exteriores são predominantemente revestidos a mármore branco “pele de Tigre“ de Vila Viçosa passado a jacto de areia, sendo a base e o coroamento predominantemente acabados a vidro.

Nesta forma cruciforme, os topos dos braços da cruz, onde se abrem varandas e vãos, obedecem a uma métrica que procura afirmar a pertença à cidade enquanto contexto de edifícios ritmados, mas que têm igualmente a particularidade de produzir enquadramentos de vista variáveis tanto ao longo de um fogo, mas também de piso para piso. De forma a aligeirar a rigidez que esse esquema poderia encerrar, a estrutura de vãos é variável, tanto na horizontal como na vertical, o que confere ao desenho um carácter mais espontâneo, compatível com a envolvente heterogénea.

Num segundo plano por detrás da “grelha“ de pedra assim gerada, as guardas em vidro, por vezes cobrindo os topos das varandas, janelões e tectos semi-polidos com pintura de cor bronze, bem como os próprios caixilhos de alumínio bronze, reflectem a envolvente constituindo uma clara clivagem entre dentro-fora e reforçam a nobreza do edifício. No entanto, o edifício não se reduz ao bloco de planta cruciforme, completando-se no volume mais baixo que produz a transição para o edifício adjacente na rua Padre António Vieira, que segue os mesmos princípios, embora de desenho diferente, da torre que emerge no conjunto.

Ficha Técnica

Localização

Rua Castilho, Lisboa, Portugal

Projecto
2016
Área

6953m2 Área bruta de construção

Arquitectura

ARX Portugal, Arquitectos lda.

José Mateus

Nuno Mateus

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