Central Digital de Porto Salvo

Descrição

Porto Salvo é uma pequena povoação de génese rural no século XVII que foi sujeita a dois grandes impulsos de crescimento urbanístico distintos. O primeiro foi nos anos 70/80, com intervenções de carácter ilegal, maioritáriamente constituído por casas unifamiliares que se encostavam às ruas existentes. O segundo, de maiores proporções, foi de operações de loteamento avulsas para edifícios de habitação de 4 pisos, em banda, sem qualquer lógica urbana de conjunto.

Esta nova realidade é cortada por um arruamento principal, estreito e sem passeios, massacrado por um trânsito de grande intensidade que liga Paço d´Arcos ( e a A5) ao Tagus Park. É aqui que se localiza o pequeno lote em que a Central se implanta, sendo o seu acesso feito de forma mais adequada e segura filtrado pela rua secundária a norte, ao tardoz (nascente) do edifício.

A explosão de novos bairros residenciais no interior do concelho de Cascais levou à necessidade de ampliação das redes de telecomunicações, facto do qual resultou a necessidade da construção desta Central Digital, para funcionar, numa primeira fase, apenas a cerca de 50% da sua capacidade de expansão. Uma Central Telefónica Digital é um edifício muito singular na medida em que é maioritariamente desabitado, excepto em esporádicas visitas de manutenção, onde a luz natural não é desejável, para uma melhor protecção às delicadas máquinas do seu interior.

Este equipamento, pela sua sensibilidade e custo, tem que trabalhar a temperaturas e grau de humidade constantes e ser imune a qualquer corte de energia. O edifício tem, por isso, que ser autónomo em termos energéticos.

A maior parte da sua monitorização e controle é feita remotamente, a partir de Lisboa.

Tratando-se de um edifício sem outros requisitos internos que não escapassem à logica das suas máquinas, o conceito arquitectónico deslocou-se do espaço para a forma e para o seu desempenho urbano.

Neste contexto o edifício começa por se afastar perimetricamente do lote, os 3 metros dos loteamentos típicos, isolando a construção no centro. Num segundo passo recebe o registo das construções vizinhas (impressões ortogonais das suas volumetrias). Logo recorta no volume o canto curvo da rua que entronca na via principal, que por passos sucessivos vai regrando a morfologia do edifício num processo abstracto espacio-temporal.

Ficha Técnica

Dono de Obra
TLP, Telefones de Lisboa e Porto
Localização

Porto Salvo, Oeiras, Portugal

Concurso
1992 - 1º Prémio
Projecto
1992
Área

825 m2

Arquitectura

ARX Portugal, Arquitectos lda.

José Mateus

Nuno Mateus

Colaboradores

Alexandra Margaça

Estruturas, Águas e Esgotos, Térmica e Acústica

ENGIPRÉ

Instalações e Equipamentos Eléctricos e de Telecomunicações
Instalações e Equipamentos Mecânicos

INSTEC

Fotografia

José Manuel

Construtor

OGB, Obras Gerais de Betão