Centro Regional de Sangue do Porto

Descrição

O Centro Regional de Sangue do Porto é um edifício cuja principal função é servir de suporte a actividades de recolha e análise de sangue e sua subdivisão em três componentes (eritrócitos, plasma e plaquetas). Esses componentes são posteriormente distribuídos para os hospitais e indústria farmacêutica.Esta tipologia, de grande complexidade face a permanentes riscos de contaminação do sangue, é recente e pouco testada. Os avanços científicos e tecnológicos permanentes obrigam a adaptações constantes. É por isso um edifício com um interior instável, que sofrerá metamorfoses frequentes ao longo da sua vida.

O programa é um processo sequencial (de desmontagem do sangue) tornando mais adequada uma construção linear ao baixo do que em altura, como sugerem as construções habitacionais que lhe são adjacentes (5/6 pisos).O Centro implanta-se numa parcela destacada da antiga Quinta do Covelo. Trata-se de um polígono irregular (11 lados) encaixado no miolo de um quarteirão, que comunica com a cidade por duas ruas distintas (R.Bolama e R. Visconde de Setúbal). O ambiente é confuso e degradado, de traseiras dos mais de 20 lotes  envolventes. O edifício-linha percorre as várias direcções do estranho polígono e procura a sua geometria. No seu aparente movimento, estabiliza sob a forma de segmentos de “estado“ variável: espesso e assente no terreno, laminar e flutuante ou complanar com o solo. Os extremos tocam delicadamente nas ruas: na R. do Bolama o edifício levita, construindo de forma evidente a permeabilidade da entrada principal (pública) e espreita sobre o muro do Parque do Covelo do outro lado da rua; no extremo oposto (R. Visc. Setúbal) toma a forma de um pórtico (de serviço), recuperando o antigo muro da quinta.Ao longo do seu desenvolvimento, o edifício oscila entre uma dominante sistematização de matriz tecnológica e subjectividades pontuais que resultam de impulsos espontâneos de reacção ao terreno.Construtivamente o edifício estratifica-se em materiais diversos em bruto: o granito local com que toca o chão, o aço galvanizado da pele, o vidro industrial das janelas, o zinco das coberturas e o contraplacado de forras inferiores.

Não existe um vínculo definido entre o contentor e conteúdo: no exterior o desajuste vertical dos módulos de janelas revela que não há um alinhamento desejável em função de uma compartimentação determinada. No interior de materialidade contínua está subjacente o pressuposto de que os espaços podem ser construídos e reconstruídos ao longo do tempo. A luz natural é filtrada e constante (para os trabalhos laboratoriais), garantida com o recurso a bandas de vidro murolux que captam, atenuam  e dispersam o sol de nascente e poente. No interior do quarteirão o contacto visual com a envolvente desqualificada é recortado por estreitas e longas janelas transformando o ambiente caótico em tiras abstractas de vistas descontextualizadas. O jardim inerte (paralelo e gravilha de granito e asfalto) desliga-se perimetricamente da envolvente, criando uma zona de abandono romântico para trepadeiras infestantes. Sobre o fundo cinza, toda a flora introduzida (árvores, sebes e trepadeiras) terá um outono de cor púrpura em consanguinidade momentânea com o universo programático do edifício.

Ficha Técnica

Dono de Obra
Instituto Português do Sangue
Localização

Rua do Bolama, nº 133
4200 - 139 Porto - Portugal

Concurso
1998 - 1º Prémio
Projecto
1998 - 1999
Obra
2002 - 2004
Área

3.825 m2

Arquitectura

ARX Portugal, Arquitectos lda.

José Mateus

Nuno Mateus

Colaboradores

Paulo Rocha, Stefano Riva, Marco Roque Antunes

Arquitectura Paisagista

GLOBAL, Arquitectura Paisagista Lda.

Estruturas

TAL PROJECTO, Projectos, Estudos e Serviços de Engenharia Lda.

Instalações e Equipamentos Eléctricos e de Telecomunicações Segurança Integrada

AT, Serviços de Engenharia Electrotécnica e Electrónica Lda.

Instalações e Equipamentos Mecânicos

PEN, Projectos de Engenharia Lda.

Instalações e Equipamentos de Águas e Esgotos

AQUADOMUS, Consultores Lda.

Fotografia

FG + SG – Fotografia de Arquitectura

Fotografia : Fernando Guerra

Produção Fotográfica : Sérgio Guerra

® copyright

Construtor

Edifer