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Centro Regional de Sangue de Coimbra Covões, Coimbra, Portugal
2002-2007
Concursos, Equipamentos
O edifício reflete uma clara vontade de assumir o carácter “deslocado“, estranho e inesperado. Trata-se de um grande corpo integralmente forrado a zinco, que, do local, regista apenas uma reação à ondulação do terreno, acompanhando com a forma a sinuosidade da topografia.

Um Centro Regional de Sangue é essencialmente um edifício laboratorial de grande complexidade, onde o sangue doado é dividido nos seus três componentes e transformado para fins medicinais. Sendo o 2º Centro que desenhámos (o 1º foi no Porto), reflete uma maior tranquilidade e acerto no tratamento da complexa parafernália técnica própria destes edifícios. Esse entendimento trouxe-nos, nesta segunda oportunidade, um maior sentimento de liberdade.

O terreno da sua implantação é de uma beleza que lembra paisagens mais comuns no norte da Europa. É um bosque cerrado onde os pinheiros distam entre si dois a três metros apenas e atingem alturas próximas dos 25 metros. No interior desta mata domina a penumbra. O céu descobre-se pontualmente, através dos poucos buracos existentes na “tela“ verde formada pela sobreposição das copas das árvores.

Apesar de existirem áreas urbanizadas relativamente perto, há uma forte sensação de isolamento, como se tivéssemos atravessado uma espécie de filtro. Este terreno situa-se sobre a linha ondulante de festo de um monte, para subitamente se precipitar numa encosta de pendente muito acentuada. Um edifício neste local parece sempre “estar a mais“. É uma perturbação no equilíbrio desta paisagem.

A concepção do edifício reflete uma clara vontade de assumir o carácter “deslocado“, estranho e inesperado. Trata-se de um grande corpo cinzento, integralmente forrado a zinco, que, do local, regista apenas uma reação à ondulação do terreno, acompanhando com a forma a sinuosidade da topografia.

As entradas no edifício, bem como todas as aberturas, janelas ou claraboias, são como sulcos ou saliências que sublinham a tensão resultante do volume dobrado: no lado convexo projetam-se para fora; no lado côncavo são complanares com o corpo do edifício. Em ambos os casos revelam o interior, quente e luminoso.

No desenho dos espaços interiores, assumiu-se o fascínio pela necessidade de espaços lisos e antissépticos, mas onde se trata de uma interpretação estética radicalizada, de obsessões meramente funcionais, que encontrámos em laboratórios que visitámos ao longo do projeto.

Arquitectura
ARX Portugal, Arquitectos lda. © — José Mateus, Nuno Mateus
Dono de Obra

Instituto Português do Sangue

Concurso

2001 - 1º prémio

Anos do Projeto

2002 - 2003

Anos de Construção

2005 - 2007

Área Total
4 100m²
Colaboradores

Paulo Rocha, Stefano Riva, Marco Roque Antunes, Nuno Grancho, Tiago Santos, Andreia Tomé, Tânia Pedro, Clara Martins, Pedro Sousa, Alain Gameiro

Estruturas

TAL PROJECTO - Projectos, Estudos e Serviços de Engenharia Lda.

Arquitectura Paisagista

PROAP, Estudos e Projectos de Arquitectura Paisagista Lda.

Eletricidade, Telecomunicações e Segurança Integrada
AT, Serviços de Engenharia Electrotécnica e Electrónica Lda.
Rede de Águas e Esgotos
AQUADOMUS, Consultores Lda.
Instalações e Equipamentos Mecânicos
PEN, Projectos de Engenharia Lda.
Assitência Técnica de Obra
Gonçalo Azevedo