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Centro Regional de Sangue do Porto Porto, Portugal
1998-2004
Concursos, Equipamentos
O edifício-linha percorre as várias direções do estranho polígono e procura a sua geometria. No seu aparente movimento, estabiliza sob a forma de segmentos de “estado“ variável: espesso e assente no terreno, laminar e flutuante ou complanar com o solo.

O Centro Regional de Sangue do Porto é um edifício cuja principal função é servir de suporte a atividades de recolha e análise de sangue e sua subdivisão em três componentes, que são posteriormente distribuídos para os hospitais e indústria farmacêutica. Esta tipologia, de grande complexidade face a permanentes riscos de contaminação do sangue, é recente e pouco testada. Os avanços científicos e tecnológicos permanentes obrigam a adaptações constantes. É por isso um edifício com um interior instável, que sofrerá metamorfoses frequentes ao longo da sua vida.

O programa é um processo sequencial (de desmontagem do sangue) tornando mais adequada uma construção linear ao baixo do que em altura, como sugerem as construções habitacionais que lhe são adjacentes (5/6 pisos). O Centro implanta-se numa parcela destacada da antiga Quinta do Covelo. Trata-se de um polígono irregular encaixado no miolo de um quarteirão, que comunica com a cidade por duas ruas distintas. O edifício-linha percorre as várias direções do estranho polígono e procura a sua geometria. No seu aparente movimento, estabiliza sob a forma de segmentos de “estado“ variável: espesso e assente no terreno, laminar e flutuante ou complanar com o solo. Os extremos tocam delicadamente nas ruas: na R. do Bolama o edifício levita, construindo de forma evidente a permeabilidade da entrada principal (pública) e espreita sobre o muro do Parque do Covelo do outro lado da rua; no extremo oposto (R. Visc. Setúbal) toma a forma de um pórtico (de serviço), recuperando o antigo muro da quinta. Ao longo do seu desenvolvimento, o edifício oscila entre uma dominante sistematização de matriz tecnológica e subjetividades pontuais que resultam de impulsos espontâneos de reacção ao terreno. Construtivamente o edifício estratifica-se em materiais diversos em bruto: o granito local com que toca o chão, o aço galvanizado da pele, o vidro industrial das janelas, o zinco das coberturas e o contraplacado de forras inferiores.

Não existe um vínculo definido entre o contentor e conteúdo: no exterior o desajuste vertical dos módulos de janelas revela que não há um alinhamento desejável em função de uma compartimentação determinada. No interior de materialidade contínua está subjacente o pressuposto de que os espaços podem ser construídos e reconstruídos ao longo do tempo. A luz natural é filtrada e constante (para os trabalhos laboratoriais), garantida com o recurso a bandas de vidro murolux que captam, atenuam e dispersam o sol de nascente e poente. No interior do quarteirão o contacto visual com a envolvente desqualificada é recortado por estreitas e longas janelas transformando o ambiente caótico em tiras abstratas de vistas descontextualizadas. O jardim inerte (paralelo e gravilha de granito e asfalto) desliga-se perimetricamente da envolvente, criando uma zona de abandono romântico para trepadeiras infestantes. Sobre o fundo cinza, toda a flora introduzida (árvores, sebes e trepadeiras) terá um outono de cor púrpura em consanguinidade momentânea com o universo programático do edifício.

Arquitectura
ARX Portugal, Arquitectos lda. © — José Mateus, Nuno Mateus
Dono de Obra

Instituto Português do Sangue

Concurso

1998 - 1º prémio

Anos do Projeto

1998 - 1999

Anos de Construção

2002 - 2004

Área Total
3 825m²
Colaboradores

Paulo Rocha, Stefano Riva, Marco Roque Antunes

Estruturas

TAL PROJECTO, Projectos, Estudos e Serviços de Engenharia Lda.

Arquitectura Paisagista

GLOBAL, Arquitectura Paisagista Lda.

Eletricidade, Telecomunicações e Segurança Integrada
AT, Serviços de Engenharia Electrotécnica e Electrónica Lda.
Instalações e Equipamentos Mecânicos
PEN, Projectos de Engenharia Lda.
Rede de Águas e Esgotos
AQUADOMUS, Consultores Lda.
Empreiteiro
Edifer