A casa nasce de dois espaços vazios: um pátio central “abraçado“ pelas áreas sociais, ligado a um “semi-pátio“ contendo a piscina. É neste pátio central que se cruzam os olhares de quem percorre os espaços envolventes, é o lugar em que se sente a energia diária da vida na casa.
Esta casa em Sagres responde ao clima agreste do litoral algarvio, afastando-se das tipologias turísticas comuns na região.
A casa desenvolve uma relação intimista com o plano de terra: enterra-se à medida que sobe, tornando-se também ela no terreno sobre o qual se caminha; descola-se enquanto desce, saliente da pendente.
A principal particularidade desta casa está na dialética entre a metade subterrânea “natural“ da casa, a metade superior, elevada e “artificial“, entre a face introvertida, intimista, de penumbra ou de luz refletida, e a sua face aberta, permeável e luminosa, onde se torna possível o olhar para o horizonte longínquo.
A casa compõe-se como o repertório alentejano: matéria branca, luz-sombra, espessura/massa, textura. No interior, os espaços sucedem-se entre “alusões“ ao volume tradicional de duas águas e variações de escala e profundidade, que transformam a atmosfera daquele mundo interior intencionalmente sóbrio.
Este projeto para duas moradias, ganha forma entre a vontade de abrir as vistas sobre a envolvente e uma fruição das plataformas de jardim que acompanham os vários pisos, tentando encontrar um equilíbrio entre privacidade e imersão completa na paisagem.
Num terreno que pende para poente, a casa pousa sobre um jardim, numa franca relação com a natureza, marcada pela arrebatadora vista de mar.
O projeto refere-se à reabilitação do chalet oitocentista da rainha D. Maria Pia de Sabóia, que se pretende manter como elemento dominante e estruturador do espaço e das vistas do exterior, assim como à construção de dois novos edifícios de habitação no mesmo lote.
Reconversão dos antigos pavilhões industriais de uma fábrica de azeite em habitação, preservando a memória das fachadas originais. Nas traseiras, um expressivo jardim toma conta do logradouro e “sobe“ às varandas dos vários pisos, até ao terraço superior.
Um volume de encastre no terreno natural e um volume flutuante, apoiado no primeiro. Ambos em betão aparente, diferenciam-se na textura adquirida pelas diferentes cofragens e pelo tom dos pigmentos aplicados.
Este edifício de habitação e comércio configura-se de forma a delimitar e proteger uma nova praça pública ajardinada, criando um lugar onde a vida urbana acontece de forma espontânea.
Reabilitação de um edifício construído na década de 40, inserido no plano de Ressano Garcia para a expansão urbana de Lisboa, redimensionando as tipologias e adaptando-as ao contexto da vida contemporânea.
No topo de um dos edifícios do cruzamento da av. Estados Unidos da América com a av. de Roma, um conjunto de espaços designados “ateliers“ no projeto original é adaptado a habitação, revelando de novo a beleza que antes se perdera.
Enquanto a fachada de rua se apresenta como volume maciço, pautado pelo ritmo de elementos verticais e horizontais salientes em pedra, a fachada tardoz recupera toda a leveza, garantindo a expansão dos espaços comuns interiores através de grandes envidraçados e varandas generosas.
Neste edifício, originalmente de 4 apartamentos, transformado numa moradia unifamiliar, foi mantida a fachada principal, sendo o restante edifício integralmente novo, tirando partido da justaposição de dois tempos diferentes.
Nesta reconversão de um edifício de escritórios de Tomás Taveira, em apartamentos, procurou-se relacionar o edifício com a cidade num sentido mais amplo, com a evocação dos vãos, materialidade e sublimação da luminosidade e leveza tão características de Lisboa.
Este edifício de 7 pisos de habitação, apoiado através de pilares num volume assente no solo, abre espaço para um jardim semipúblico sobre essa base, reinterpretando a tipologia das principais avenidas modernistas dos anos 1950 em Lisboa.
Num lote historicamente expectante, o projeto remata a frente urbana da Av. Santos Dumont procurando reconhecer e responder ao contexto específico em que se insere: o limite entre a cidade e o canal ferroviário.
O edifício resolve uma situação de transição de um quarteirão convencional de dois edifícios, com logradouro interior, para um único edifício com duas frentes, propondo uma nova passagem pública exterior coberta.
O projeto assenta numa ideia de “edifício de miradouros”, levando ao extremo permitir o olhar sobre a envolvente e constituir plataformas (terraços e varandas) de usufruto da extraordinária paisagem.
A casa define-se como um volume matérico e tectónico, de geometria facetada e articulada, fortemente agarrada ao terreno. Conceptualmente evoca a presença das edificações defensivas que pontuam esta zona da costa, numa estreita relação de vigília entre a terra e o mar.
Trata-se de um edifício de 5 pisos com duas fachadas radicalmente diferentes: a “pública“ em pedra de lioz branco e a das traseiras em vidro, ligadas por um mundo interior em betão aparente, pontuado pela presença de elementos em madeira de bétula.
Num processo de fragmentação, descobre-se o mundo interior da casa. Manifesta-se através de um desenho onde está presente a ideia de erosão parcial do que poderia ser o volume de construção máximo permitido, por introdução de uma sequência de pátios, redução parcial do piso superior e pela quase total separação do piso térreo em duas metades.
Sendo os alçados norte e sul de naturezas opostas, fechado e aberto respetivamente, os alçados de topo, caracterizam-se por um recorte escultórico da parede de betão, que procura um delicado equilíbrio na transmissão do seu peso ao solo.
A casa foi desenvolvida em betão vermelho, como cobertura de duas águas, procurando um arquétipo conceptual mais próximo das casas de veraneio originais da zona.
Num terreno estreito e longo, a casa desenvolve-se num volume serpenteante que "desliza" na pendente.
Apesar de o jardim ser uma espécie de lugar-comum, as questões do ‘limite’ e do ‘recinto’ são, neste caso, particularmente pertinentes.